LUTA DE CLASSES (2)

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Nesta terça-feira, em Paris, França e Inglaterra realizaram um jogo de futebol amistoso, com vitória dos franceses por 3X2. Rivalidade futebolística à parte, França e Inglaterra, ou mais propriamente, o Reino Unido, realizaram eleições nestes últimos dias, num contexto em que ambas discutem a melhor estratégia para permanecerem como países com relevância no cenário geopolítico internacional.

Potências decadentes desde o final da 2ª Guerra Mundial, incapazes de qualquer protagonismo no âmbito militar, com o total domínio dos EUA sobre a OTAN,as classes dominantes dos dois países apostaram no projeto da União Europeia, mas perceberam que o projeto teria apenas um comandante, e este seria a Alemanha. Neste cenário, o Reino Unido optou pelo “Brexit” enquanto a França permanece na UE, mesmo que na condição de mero coadjuvante.

Nos dois países, como era esperado, saíram vencedores das eleições os partidos de direita, mas o fato político mais relevante foi,no âmbito da esquerda, a derrocada de partidos ou candidatos que defendiam programas neoliberais e a emergência de partidos e candidatos anticapitalistas.

Na França, Melenchón, ex-trotskista, alcançou 7,1 milhões de votos (19,6% do total), três vezes mais que o candidato do desmoralizado PS de Hollande, e ficou a apenas 1,7 ponto percentual do 2º turno. Já no Reino Unido, após anos sob a direção de dirigentes neoliberais como Tony Balir e Gordon Brown, o Partido Trabalhista, sob o comando do socialista Jeremy Corbyn, alcançou 12,9 milhões de votos (40,2% do total), o melhor resultado em 20 anos, ficando a 2,5 pontos percentuais da maioria de votos.

Em 1992, o sociólogo norte-americano Francis Fukuyama proclamou o “fim da história”, preconizando a vitória definitiva do capitalismo e o fim da luta de classes.Esqueceu-se que, enquanto houver desigualdade, haverá luta de classes. É o que se viu na França, no Reino Unido e se vê no Brasil.

 


Júlio Miragaya - presidente do Conselho Federal de Economia

 

Escrito por Manoel Castanho