| IPEA divulga estudo sobre impacto de Olimpíadas em cidades-sede |
| Por Manoel Castanho (*) | |
| 04 de September de 2008 | |
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"Nos três casos, observou-se uma convergência de propósitos: converter a cidade-sede numa metrópole mundialmente conhecida e admirada, capaz de reunir todos os requisitos para se destacar na era contemporânea", afirma o texto. "Os interesses são óbvios: estabelecer um novo posicionamento da cidade na rede global (recebendo fluxos de pessoas e de capitais)". Barcelona, Sydney e Pequim, exemplos de sucesso Os Jogos de Barcelona são vistos como um exemplo de sucesso, cujo legado permitiu à cidade superar a estagnação da década de 1980. "A maioria dos investimentos foi feita na própria infra-estrutura urbana (por exemplo, no trânsito de veículos), deixando para a população da cidade um legado muito maior do que o esportivo. E a avaliação da população refletiu essa aprovação: o aumento da auto-estima e a satisfação dos cidadãos, por causa das melhorias realizadas em virtude da Olimpíada". Nos Jogos de Sydney a questão ambiental ganhou importância. "Ações como a despoluição da Homebush Bay, colocando-a como o centro dos Jogos Olímpicos, bem como a implantação de técnicas de reaproveitamento de água, energia e lixo e a preocupação com o desenvolvimento sustentável transmitiram a idéia que o mundo precisava. A partir disso, a preocupação com o meio ambiente passou a ser uma exigência do COI". Já os Jogos de Pequim são destacados como uma forma de apresentar o que a China é capaz de oferecer ao mundo. Ao falar sobre os benefícios que a realização dos Jogos traz para a capital chinesa, o texto prevê que "o crescimento econômico chinês vai continuar dando suporte para o crescimento econômico de Beijing e a estrutura adquirida pela realização do evento, especialmente em tecnologia da informação, sistema bancário e setor de serviços, continuará dando frutos". Atenas: nem sempre os resultados são os esperados Mas nem sempre a realização deste evento tem os resultados esperados. Os autores citam o exemplo de Atenas, cidade-sede no ano de 2004. Devido à grande preocupação com o terrorismo, os gastos com segurança aumentaram bastante, enquanto diminuíram as receitas com turismo. "Nesse caso, pode-se incluir no legado uma grande dívida, indesejada, que precisou ser assumida pelo governo grego. E, para agravar, houve denúncias de uso indevido dos recursos públicos". Conclusões No momento em que o Rio de Janeiro é candidato a receber os Jogos, finalmente superando a primeira fase da escolha sem ser eliminado (além de ter realizado os Jogos Pan-Americanos no ano passado), o estudo traz algumas reflexões sobre as oportunidades geradas por sediar uma Olimpíada. "O ponto mais crítico do debate econômico sobre os Jogos Olímpicos tem sido a questão do financiamento, uma vez que geralmente o Estado assume um papel central na alocação de recursos", indica o texto. "As receitas do marketing olímpico podem pagar a conta da festa (às vezes, até geram lucros para os organizadores), mas não pagam a construção do local da festa, nem o suporte logístico (isto é, os investimentos necessários para adequar e modernizar os equipamentos urbanos e as instalações esportivas)". Entre outras possíveis "perdas", os autores afirmam que "é evidente que alguns setores econômicos e sociais são mais beneficiados que outros. Investir na construção de um estádio olímpico pode, por exemplo, tornar necessário que se adie a construção de um hospital ou impedir que o governo eleve os salários dos professores da rede pública". E citam, em seguida, a possibilidade de um aumento nas desigualdades regionais. E uma das principais conclusões do estudo é de que os investimentos na cidade e região (e não no evento) devem ser prioridade ao formular uma proposta de candidatura. "Antes dos estádios, ginásios, piscinas e alojamentos é importante pensar na questão das facilidades de transporte e comunicação, na questão ambiental e na segurança e conforto dos turistas e atletas".
Leia a íntegra do texto divulgado pelo IPEA. |