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O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciou ontem um aumento de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, elevando-a para 10,75% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade, surpreende o mercado (que apostava em alta de 0,75%) e reflete o comportamento recente da inflação.
A nota divulgada pelo Banco Central, normalmente de duas a três linhas, desta vez foi um pouco maior. "Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 10,75% a.a., sem viés", informou o BC. E acrescentou: "Considerando o processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde a última reunião do Copom, e que se deve à evolução recente de fatores domésticos e externos, o Comitê entende que a decisão irá contribuir para intensificar esse processo".
Relatório Focus
O Relatório Focus divulgado na última segunda-feira já sugeria que o ciclo de elevações dos juros poderia ser suavizado - mas não nesta reunião. A expectativa de mercado, intacta há 10 semanas, era de um aumento de 0,75 ponto percentual. Com os juros chegando a 11%, restaria uma margem de um ponto percentual para chegar a 12% - taxa que os mesmos analistas previram para o final de 2010 no mesmo Focus.
Inflação em queda
O desempenho da inflação foi decisivo na definição de que o aumento nos juros (utilizados para levá-la ao centro da meta) seria de meio ponto percentual. Isso porque o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) não teve variação em junho (0,00%). E o IPCA-15 (medido entre 15 de junho e 15 de julho) registra deflação de 0,09%. Se por um lado o IPCA acumulou 3,09% nos primeiros seis meses do ano, por outro o momento presente é de queda na inflação. E o Copom, como afirmou em seu comunicado, considerou "o processo de redução de riscos para o cenário inflacionário".
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(*) Jornalista do COFECON
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