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Alimentos e combustíveis levam inflação a 0,75% em janeiro PDF Imprimir
Por Manoel Castanho (*)   
05 de February de 2010

 O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - usado pelo governo para medir as metas de inflação e determinar a política monetária - fechou o mês de janeiro com alta de 0,75%. Trata-se da maior variação dos últimos 20 meses, além de representar o dobro da inflação de dezembro. A informação foi divulgada hoje (05) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apenas como comparação, a inflação do último mês (dezembro) havia sido de 0,37%, enquanto no mesmo mês do ano anterior (janeiro de 2009) a alta havia sido de 0,48%. A variação dos últimos 12 meses agora ultrapassa o centro da meta e chega a 4,59%.

Alimentos, o maior vilão

Os alimentos contribuíram com 0,25 ponto percentual do índice, tendo uma alta de 1,13% em janeiro (contra 0,24% em dezembro). O IBGE atribui a alta às chuvas, que atingem importantes polos produtores, reduzindo desta maneira a oferta. As maiores variações ocorreram nos preços da cenoura (12,21%), batata inglesa (10,80%), açúcar cristal (10,27%) e hortaliças (8,44%)+

Entre os itens não-alimentícios a inflação foi de 0,64%, sendo que a maior contribuição individual (0,14 p.p.) veio das tarifas de ônibus urbano (alta de 3,9%). Os combustíveis subiram 2,08%, representando 0,1 p.p. no IPCA.

Maio de 2008: inflação e alta de juros

A inflação de janeiro é a maior dos últimos 20 meses, remetendo a maio de 2008, quando o IPCA chegou a 0,79%. Na época havia uma alta mundial nos preços dos alimentos, causando distúrbios em alguns países da Ásia.

No mês anterior, quando o mercado esperava uma subida de 0,25 ponto percentual, o Banco Central determinou aumento de meio ponto. Na reunião seguinte, em junho, mais meio ponto, com os juros chegando a 12,25%. A seguir vieram dois movimentos ainda mais fortes, de 0,75 p.p. - o último deles cinco dias antes da quebra do Lehman Brothers, um marco do agravamento da crise financeira iniciada nos Estados Unidos.

Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, o Banco Central informa que está preparado para responder rapidamente às pressões inflacionárias. O mercado espera altas a partir de abril, mas não será surpreendente se os juros forem aumentados já em março.
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(*) Jornalista do COFECON
manoel.castanho@cofecon.org.br
(61) 3208 1806

 
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