Um dos mais carismáticos ditadores do Mundo, Hitler, acreditava que uma mentira repetida muitas vezes tornava-se verdade. Ainda bem que ele estava errado; caso contrário, teria realmente dominado o Planeta.
No entanto, nossos “democráticos” governantes da atualidade continuam mentindo, mentindo e mentindo, com o objetivo de manterem-se no poder. Seus discursos permitem a aqueles que participam de seus governos de utilizar a intimidação, a coerção e a violência, que se misturam com benevolência, altruísmo, heroísmo e proteção à maioria da população, e esta é utilizada em larga escala como força de manobra de poder.
A promessa de melhorar o padrão de vida de seus conterrâneos, sem nenhum sacrifício de poupança, mas por um simples “toque de Midas”, é a mais prejudicial das mentiras. A maioria dos governos do Mundo, com o objetivo de manter o poder, comete esta mentira, executada por seus Bancos Centrais com políticas monetárias frouxas e crédito fácil.
O modelo utilizado por Clinton foi mantido por Bush, buscando a reeleição, e com o agravante da “torre gêmeas”, não se dispôs em pagar o preço da recessão necessária para resgatar a expansão artificial deixado pelo governo anterior.
O governo Bush em parceria com Greenspan em 2001 implantou sete anos de crescimento artificial, através de juros baixos, créditos fartos e emissão de moeda. No mundo da economia real esta política monetária já não fazia a mágica do “crescimento sem poupança”, e o resultado foi demonstrado pela web site Shadow Stats que fornece dados calculados por uma entidade privada, e mostra – em linhas azuis – que o crescimento econômico real desse período Bush foi negativo.
No mundo artificial, este modelo parecia desafiar a teoria econômica, pois a hiperinflação não aconteceu, e com mais emissão de moeda e crédito fácil, o dólar, como moeda internacional, valorizado, aumentou o padrão de vida do americano, abastecido por todos os países de mercadorias baratas, notadamente as chinesas, pelo seu escravo custo de mão-de-obra.
A contrapartida foi a farta distribuição de dólares para todos os países, que sentiram segurança na política econômica americana e passaram a emitir suas moedas, estimular o crédito, sem gerar hiperinflação, pois tinham saldos em dólares para importar muitos produtos chineses de baixo custo, mantendo em equilíbrio o “nível geral de preços” e com crédito internacional abundante e barato para investir intempestivamente sem a preocupação dos fundamentos econômicos.
Claro que a emissão de moeda, crédito fácil e preços dos bens e serviços controlados, faz sobrar dinheiro no bolso e as pessoas sentem que tiveram aumento de padrão de vida. Os governos tinham descoberto uma fórmula mágica de melhorar o padrão de vida de seus povos, sem o sacrifício da poupança. Neste período, o índice de aprovação dos governos era o mais alto da história democrática.
Mas era mentira...
A política econômica iniciada pela dupla Greenspan-Bush em 2001, que gerou um consumo descontrolado pela emissão de dólar, crédito fácil “para todos” e pelo açude dos preços criado pelos produtos chineses, reelegeu todos os políticos que adotaram esta falácia econômica, em diversos países, inclusive no Brasil, mas como uma mentira não dura para sempre, entre 2007 a 2008 chegou a conta chamada recessão.
O comprimento e largura da recessão irão variar de país a país, em função da dimensão monetária artificial utilizada, e do tipo de política econômica que cada governo irá escolher para atravessar este período difícil.
Como a ciência econômica demonstra, ao contrário do que o conhecimento empírico informa, a recessão é a parte positiva do ciclo econômico, pois ela acontece independente da vontade dos homens para resgatar os erros realizados por seus governos, por meio de seus presidentes, quando autorizam a emissão da moeda, a diminuição dos juros abaixo do valor real e como conseqüência, o crescente aumento de crédito, criando por um período uma expansão artificial, que culmina com a crise que é o início da recessão.
Quanto mais os governos adiarem a recessão pela política de crédito fácil e emissão de moeda, maior será a largura e tamanho da recessão e, dependendo da insistência, levará à morte a sua própria moeda pela hiperinflação.
As atitudes tomadas pós-crise pelo país-modelo EUA já confirmam que manterão a política monetária semelhante à anterior, mas usando uma dose muito maior, ou melhor, uma overdose monetária. A dupla Bernanke/Obama fará inveja a dupla que os antecederam, aliás, já estão fazendo, e os números de emissão e déficit público são imagináveis.
Mas em uma economia já viciada em moeda, como é a americana, a duração desta máxi-dose monetária, terá um efeito muito menor e no final teremos uma economia “zumbi” e o “vodu” pode ser a economia chinesa.
No Brasil, a otimista dupla brasileira Meirelles/Lula, que contam com o Mantega para ajudá-los a manter uma política monetária, iniciada em 2003, com juros abaixo do verdadeiro e uma emissão de moeda no padrão americano, usam os veículos de comunicação de massa para explicar os resultados da execução de política econômica, “nunca antes vista neste país”.
Pouparei o leitor das afirmações do Presidente Lula, mas vamos às dos subordinados. Meirelles diz que o desemprego, em março de 2009 chegou a 9%, o mesmo de 2007, e justifica: “Não devemos esquecer que existem países que estão com questões desemprego comparáveis às das décadas de 40 e 60”. Temos que perguntar ao Presidente do Banco Central: o “não devemos esquecer” é para os empregados ou desempregados?
“A boa notícia é que a dívida pública deve ficar do tamanho que o mercado esperava, de 38% do PIB”, afirmou Meirelles. Pergunta ao Presidente: que mercado? Outras afirmações de Papai Noel brasileiro: “O país deve sair mais forte da crise econômica” - Meirelles. “Brasil reúne condições mais favoráveis que a maioria dos países para enfrentar a crise” - Mantega.
Infelizmente os fatos no Brasil não sustentam estas afirmações ufanistas:
• Aumentamos nossa poupança?
• Aumentamos nosso investimento em educação?
• Investimos na infra-estrutura nacional?
• Fizemos uma reforma Jurídica?
• Fizemos uma reforma política?
• Melhoramos a segurança pública?
• Investimos em tecnologia?
• Implantamos uma política ambiental?
• Promovemos uma reforma tributária desenvolvimentista?
• Produzimos um Projeto Nacional de Desenvolvimento Sustentado?
Quais destas questões fundamentais para o desenvolvimento sustentado de um país têm resposta “sim”? Todas. Mentiras, mentiras, mentiras... não transformam o “não” em “sim”. Mentiras, mentiras, mentiras... não transformam os fundamentos econômicos de longo prazo.
Estes servidores públicos do governo Lula sabem que não existe milagre, o crescimento artificial que experimentamos nestes últimos cinco anos, com aumento da base monetária brasileira (2003/2008 M1+M2+M3+M4 superior a 140%) e estímulo ao crédito com juros baixos (taxa selic de {03/2003} 26,5% para {03/2008} 11,25%) foi efêmero, os brasileiros já viveram esta ilusão, e se o governo Lula insistir, com este novo cenário mundial, irá levar o Brasil para a hiperinflação.
Portanto, manter este modelo econômico, mesmo com dose dupla de política monetária frouxa, a expansão econômica terminará, e ainda no governo Lula, iniciará a recessão, que poderá ser mortal para o país e a história lembrará para sempre de seus algozes.
Peter Schiff, famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico, afirmou recentemente: “Meu palpite é que, na melhor das hipóteses, esse estímulo criado pela dupla Bernanke/Obama irá nos dar mais dois anos, depois dos quais a ressaca recomeçará. Entretanto, como essa recente dose foi extremamente colossal, o revés econômico será igualmente horrível. Meu temor é que, quando a droga diminuir seu efeito, iremos correr até a seringa monetária uma última vez. Essa última dose poderá ser letal, e a economia americana irá morrer de hiperinflação”.
E continua... “Ademais, as ações não estão subindo por causa de uma melhora nos fundamentos de longo prazo da economia americana. No mínimo, o aumento nos preços globais das ações se deve ao fato de os investidores estarem percebendo que manter dólar guardado é ainda mais arriscado do que investi-lo em ações. A maciça inflação monetária que é a fonte desse estímulo inevitavelmente se tornará uma punição para aqueles que estiverem guardando dólares. Por isso, para preservar seu poder de compra, os investidores têm de buscar reservas de valores alternativas, tais como ações.
É importante observar que, apesar dessa impressionante reação, as ações americanas se apreciaram substancialmente menos do que as ações estrangeiras. O pensamento lógico indica que como aplicamos o mesmo modelo econômico americano nosso resultado será semelhante, ou seja, vamos à direção da hiperinflação.
A desvalorização do dólar em relação a uma cesta de 6 moedas: euro, iene, franco suíço, libra, dólar canadense e coroa sueca em 7% nos últimos dois meses, 14,3% em relação ao real e as moedas de exportadores de commodities, como Austrália e Nova Zelândia em 20%, significa que nossos produtos brasileiros ficarão mais caros para os americanos e teremos uma diminuição ainda maior nas exportações e a conseqüência é um maior desemprego no setor.
Pela lei da oferta e procura que não pode ser modificada nem por decreto-lei do Presidente Lula, quando os preços sobem vende-se menos, ou seja, diminui a receita em dólares para o Brasil. Como dificilmente a China aceitará o real, teremos dificuldade de importar produtos baratos e como conseqüência os produtos nacionais irão disparar pela pressão da demanda monetarizada.
A única solução para diminuir o preço relativo dos produtos braseiros para exportação é uma reforma tributária nos padrões internacionais e uma reforma jurídico/bancária para os juros finais serem semelhantes aos de todos os países desenvolvidos.
Como estamos em plena campanha presidencial antecipada, é tradição do Congresso brasileiro, em período de eleições, não funcionar, e nos resta apenas rezar para que o governo crie um novo milagre sem mentiras.
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Luiz Carlos Barnabé de Almeida é Economista, Jornalista, titular da Cadeira de Economia Política da Estácio de Sá/UNIRADIAL.